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Setembro Amarelo - Mês de Prevenção ao Suicídio

Setembro Amarelo - Mês de Prevenção ao Suicídio

Brasília, 16 de setembro de 2019. 

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o "Setembro Amarelo". O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Nesse artigo a temática do suicídio será analisada sob o ponto de vista do profissional médico, não como ator importante na prevenção, mas sim como vítima efetiva e potencial.

O suicídio enquanto fator social perpassa por toda a história da humanidade, sendo sua análise influenciada em cada período por fatores sociais, culturais, econômicos e religiosos. Na quadra histórica que antecede o Iluminismo, a visão de mundo era alicerçada no teocentrismo, exercendo a religião domínio na sociedade e no indivíduo. Vigorava, sem qualquer contestação, a ideia de que a vida era uma dádiva divina, de modo que se situava fora do âmbito de disponibilidade do ser humano. Assim o suicídio encontrava barreira no dogma religioso. Sob o influxo dos ideais iluministas verificou-se verdadeira emancipação filosófica do homem, que tornou figura central do mundo na visão antropocentrista. Ainda na esteira do pensamento iluminista, ganha força a ideia do livre-arbítrio e o entendimento de que a felicidade e outros anseios seriam fruto das condutas e escolhas individuais, ao invés de uma designação ou predeterminação de um ser superior.

Com o protagonismo do homem, houve uma progressiva escalada do individualismo, que por sua vez, redundou no hedonismo. Contudo, a realidade denota que a emancipação humana não foi capaz de transformar o modo como a sociedade em geral lida com o suicídio, que continua envolto em estigmas e tabus. Por outro lado, a experiência recente demonstra que somente trazendo luz ao tema será possível o entendimento e o enfrentamento do suicídio enquanto fenômeno, que se sabe decorre de múltiplos fatores.

Dentre os inúmeros fatores, os estudos apontam que determinadas atividades profissionais estão relacionadas com maior risco de suicídio, destacando-se o exercício da medicina, tema central do presente texto. As taxas de suicídio nesses profissionais são notoriamente maiores do que as da população geral, bem como superior a de outros grupos acadêmicos. Essa discrepância estaria relacionada a maior incidência de transtornos psiquiátricos, como depressão e abuso de substâncias e sofrimento psíquico relacionados a vivências específicas da profissão, como: grande carga de trabalho, falsa sensação de onipotência, privação do sono, cuidar de pacientes difíceis, ambientes insalubres, preocupações financeiras, contato intenso e frequente com a dor e o sofrimento, lidar com a intimidade corporal e emocional, proximidade recorrente com a morte, incertezas e limitações do conhecimento médico, isto é, o medo do erro médico.

Outro fator a se destacar é a eficiência na tentativa de suicídio que também é maior quando cotejada com outros grupos, o que pode ser creditado ao próprio conhecimento médico e, principalmente pelo fácil acesso aos meios.
Dessa forma, constatada a existência de elementos preditivos peculiares ao médico, o enfrentamento do suicídio nessa população há de ser customizado, adotando-se, por exemplo, programas de conscientização de que a informação técnica anteriormente adquirida não lhe dá imunidade aos conflitos emocionais, bem como capacitação para reconhecimento dos sinais de alerta para auto e heteropercepção. Assistência psiquiátrica e psicoterápica para o paciente-médicos em risco, enfatizando a sua responsabilidade de cooperação e evitando privilégios especiais.

O tema deve ser abordado ainda do ponto de vista institucional, exortando-se o engajamento dos conselhos profissionais e demais entidades relacionadas ao exercício da profissão, para o desenvolvimento de programas e ações efetivas para a minimização dos riscos já referidos, para que a classe médica deixe de figurar como grupo especial de risco e, efetivamente, atue como peça chave no combate ao suicídio.

Renata Nayara da Silva Figueiredo

Conselheira do CRM-DF

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