Rede dos Conselhos de Medicina
Gravidez, pré-natal e parto durante a pandemia foi tema de Webinar do CRM-DF
Ter, 18 de Agosto de 2020 18:37

Os temas foram comentados por especialistas em ginecologia e obstetrícia  

Os impactos da pandemia nas gestantes foram debatidos nesta segunda-feira (17), durante Webinar realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), em seu canal oficial do Youtube. Os riscos da Covid na gravidez, o tratamento, a vacina, o aumento do número de mortes, entre outros assuntos, foram debatidos por especialistas em ginecologia e obstetrícia.

O evento contou com a participação do presidente do CRM-DF, Farid Buitrago (médico ginecologista, obstetra e mastologista); da primeira secretária Marcela Montandon (médica ginecologista e obstetra) e da médica Adriana Suely de Oliveira Melo (doutorado em Tocoginecologia pela UNICAMP e doutorado em Saúde Materno Infantil pelo IMIP).

O presidente do CRM-DF iniciou a transmissão perguntando às médicas se houve mudança no pré-natal durante a pandemia. “O pré-natal tem que ser feito, no início, aqui na Paraíba, tiveram aumento de complicações durante a gestação por não estarem fazendo o acompanhamento adequado. Fizemos várias reuniões com a Secretaria de Saúde da região explicando a importância do pré-natal”, disse Adriana. Ela ainda relatou que foi criado o programa “Fale com o Obstetra” para que as grávidas tirassem dúvidas mais simples sobre a gestação. “A crise nos mostrou que temos muitas ferramentas para usar. Não substituíamos as consultas com o programa, mas tirávamos dúvidas daquelas grávidas que não tinham a necessidade de ir à maternidade naquele momento. Era uma preocupação nossa de orientar e mostrar a importância do pré-natal”.

Marcela Montandon relatou que no Distrito Federal não foi muito diferente, depois de decretada a pandemia, no início de março, as gestantes não entraram como grupo de risco, inicialmente os idosos e pacientes com comorbidades. “Como mandaram todos ficarem em casa, as gestante demoraram a procurar atendimento médico e com isso percebemos aumento das complicações obstétricas. Com o tempo, veio a inclusão da gestante como grupo de risco e com isso conseguimos mostrar a importância da consulta, mesmo com a pandemia e que o pré-natal precisa ter prioridade”, explicou.

A obstetra ainda comenta que considerando as modificações fisiológicas da gestação, pode haver um risco teórico maior de desenvolver a doença grave por COVID 19. “Percebemos que a grávida responde de uma forma pior do que a não grávida. Esse cuidado e essa atenção é que precisamos ter durante o pré-natal para tentarmos evitar complicações”, disse Marcela.  

A saúde mental da gestante durante a pandemia também foi debatida durante o encontro, foi observado pelos profissionais, o excesso de ganho de peso, aumento da diabetes, hipertensão e de doenças que necessitam de acompanhamento médico especializado.

De acordo com Farid Buitrago, outro fator que tem preocupado é o alto índice de gestantes que vieram a óbito por causa da Covid-19. “Temos que descobrir as causas desses óbitos, pois são mortes que podem ser evitadas. A vacina deve chegar ano que vem e esperamos que essas mulheres estejam no grupo de prioridade”, relatou Farid.  

“No início da pandemia montamos um grupo e começamos a observar relatos da mídia desses números de mortes e isso nos ajustou. Percebemos que fora do Brasil, as grávidas tinham risco, mas não de morte. Aqui foi diferente”, informou Adriana. De acordo com a médica, a cada 10 mortes, 7,5 aconteceram no Brasil. Cerca de 40% das mulheres morreram sem ter acesso a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Começamos a estudar essas, mas ainda temos que analisar todos os fatores”, informou.

Adriana também comentou os casos de bebês que contraíram a Covid-19 das mães durante a gestação e vieram a óbito. “O coronavírus não passa facilmente pela placenta, mas já foram relatados alguns casos que isso aconteceu e, na maioria deles, as mães eram assintomáticas. Tudo ainda é muito novo e precisa ser estudado. Penso que o Brasil tem que fazer mais diagnósticos de doenças para que possamos nos precaver e tentar entender esses vírus”, concluiu.

 
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